
Violência doméstica: PS propõe que se prossiga a formação das forças de segurança e pede campanhas regulares
A vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS Elza Pais alertou para o perigo da normalização da violência no namoro e defendeu a integração de conteúdos como o consentimento, o bullying e a ciberviolência em campanhas regulares, e aconselhou que se prossiga a formação das forças de segurança em contexto de violência doméstica.
“A violência doméstica é o crime que mais mata em Portugal, que humilha e deixa marcas físicas e psicológicas profundas irreparáveis nas suas vítimas”, afirmou Elza Pais, que indicou que “mais de 700 mulheres foram assassinadas nas duas últimas décadas, mais de mil crianças ficaram órfãs de mãe e hoje há cerca de 82 queixas por dia às forças de segurança”.
A presidente das Mulheres Socialistas avisou que “estamos perante uma violência transversal que se reproduz nas novas gerações”, já que a “violência é normalizada no namoro, com 75% dos jovens que não consideram a violência no namoro como uma forma de violência”.
Perante todos estes dados, “a intervenção é hoje mais urgente do que nunca”. Assim, o “Partido Socialista apresenta dois projetos para prevenir e combater estas graves violências que usam também o espaço online como forma acrescida de medo e de intimidação para silenciar as vítimas”, disse.
O PS propõe que se “prossiga a estratégia integrada de segurança urbana através dos contratos locais de segurança lançada em 2023 e que está parada”. “Para combater desfechos fatais e atuar em 72 horas em caso de risco elevado, a intervenção pode ser muito mais eficaz e certeira quando envolve a proximidade das autarquias locais”, assegurou a socialista.
Elza Pais propôs, em paralelo, “que se prossiga a formação às forças de segurança e que se qualifiquem os espaços de atendimento das vítimas”.
Os socialistas querem ainda “que as campanhas sobre violência no namoro se façam de forma mais regular e que integrem conteúdos como o consentimento, o bullying e a ciberviolência, e que os espaços de segurança sejam criados para que os jovens possam falar sem medo das intimidações de que são vítimas”.
Elza Pais frisou que “a gravidade e o isolamento a que as vítimas estão sujeitas, muitas vezes com os agressores escondidos atrás de uma tela, introduz perigosidade acrescida ao nível, inclusivamente, da saúde mental dos jovens”.
O projeto de resolução do PS que recomenda ao Governo que garanta que todas as vítimas de violência no namoro tenham acesso a um apoio eficaz, inclusivo e respeitador dos seus direitos foi aprovado por unanimidade. O projeto de resolução que recomenda o reforço de meios e instrumentos ao dispor das forças de segurança foi aprovado por todas as bancadas, com a abstenção do Chega.