Duas presidentes – na linha da frente
Há momentos na vida pública em que a política deixa de ser debate e passa a ser presença. Deixa de ser retórica e passa a ser responsabilidade concreta. As recentes intempéries no distrito de Setúbal foram um desses momentos.
Em Alcácer do Sal, as cheias invadiram ruas e habitações, afetando famílias e atividades económicas. Em Almada, a instabilidade nas arribas da Costa da Caparica e em zonas como São João, Santo António, Porto Brandão e Azinhaga dos Formozinhos obrigou a decisões exigentes e a evacuações por razões de segurança. Foram episódios complexos, que colocaram à prova a capacidade de coordenação institucional e, sobretudo, a qualidade da liderança local.
Nenhuma crise desta dimensão se resolve isoladamente. Exige articulação entre autarquias, Governo, proteção civil e forças de segurança. Mas é no poder local que a resposta ganha rosto. É ali que se decide com rapidez, que se comunica com proximidade, que se acompanha quem sofre.
E foi aí que as duas presidentes de câmara demonstraram o que significa liderar com sentido de missão.
A recém-eleita presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, apesar do pouco tempo de mandato, revelou maturidade política, capacidade de organização e uma empatia notável. Esteve no terreno, coordenou equipas, acompanhou prejuízos e garantiu que a resposta municipal chegava às pessoas. Mostrou que liderança não é uma questão de antiguidade, é uma questão de competência, compromisso e humanidade.
Em Almada, a presidente com provas dadas, Inês de Medeiros, assumiu decisões firmes perante a instabilidade nas arribas. Colocou a segurança das populações acima de qualquer hesitação, mas sempre com proximidade e escuta atenta às famílias afetadas. Comunicou com clareza, coordenou serviços e acompanhou cada situação de perto, mostrando coragem, responsabilidade e uma empatia constante. Mais uma vez, provou que liderança é saber equilibrar firmeza e humanidade.
O que distingue estas duas líderes não é apenas a gestão técnica da crise. É a forma como exercem o poder: com solidariedade ativa, com proximidade real e com a consciência clara de que governar é servir. Estiveram junto das pessoas, ouviram, explicaram, acompanharam. Mostraram que a política pode (e deve!) estar ao lado das comunidades nos momentos mais difíceis.
Enquanto deputada socialista eleita pelo círculo de Setúbal, sinto um profundo orgulho no trabalho desenvolvido por Clarisse Campos e por Inês de Medeiros. Orgulho por serem mulheres, orgulho por serem socialistas, orgulho na coragem, na determinação e na forma como colocaram as pessoas no centro das decisões. Orgulho por saber que, quando foi preciso liderar, lideraram.
As intempéries passarão. Mas ficará a memória de quem esteve presente, de quem assumiu responsabilidades e de quem não deixou ninguém para trás.E isso, para mim, é motivo de um orgulho profundo e absolutamente sincero.
Fonte: Margarida Afonso. O Setubalense. 25 de fevereiro de 2026
