
Constituição da República Portuguesa é onde se reveem os firmemente democratas
O presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defendeu que a Constituição da República Portuguesa serviu e continua a servir o país e é “onde se reveem os firmemente democratas, da esquerda à direita”.
Durante a sessão comemorativa do 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa, Eurico Brilhante Dias asseverou que “quando hoje nos querem projetar um futuro que não é mais que um passado já vivido, é tempo de reafirmar os valores centrais da nossa Constituição”.
“É tempo de reafirmar os valores centrais da nossa Constituição”
“É tempo de reafirmar os valores centrais da nossa Constituição”
Num discurso em que homenageou os militares de abril, o presidente da bancada socialista sublinhou que “somos todos filhos e netos de abril, da valentia e coragem dos capitães, que derrubaram um regime de partido único, com censura, prisões políticas, tribunais plenários, campos de detenção com tortura e morte, e uma guerra colonial que ceifou milhares de vidas”, algo que convém recordar a quem tem saudades do passado.
“A Constituição da República Portuguesa de 1976 foi o presente que se projetou futuro; foi a página escrita pelo punho do legislador constituinte, que se impôs a si próprio o desenho de um outro futuro”, disse.
Eurico Brilhante Dias citou Mário Soares quando, a 2 de abril de 1976, aduziu “com inegável atualidade” que “podemos afirmar que, se a violência levar a alguma ditadura, não será com certeza da esquerda, será uma nova ditadura de extrema-direita”. Já na altura Mário Soares dizia que “o passado interrompido era inimigo da vontade popular, era inimigo da democracia”.
Constituição projetou o futuro cortando com o passado
A verdade é que a Constituição permitiu criar “um futuro de igualdade – homens e mulheres pela primeira vez –, mas também de liberdades e garantias, de respeito pelos Direitos Humanos, de todas e todos os cidadãos, de iniciativa empresarial, coletiva e individual, de direitos sociais. Desse futuro – sempre incompleto e em construção a cada novo problema – nasceu o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública para todos, o direito do trabalho e o reequilíbrio das relações laborais”, enumerou.
Eurico Brilhante Dias destacou que Portugal se tornou membro da comunidade internacional e, em 50 anos, “teve um secretário-geral das Nações Unidas, um presidente do Conselho Europeu e um presidente da Comissão Europeia”, algo que considerou “digno de registo, para quem partiu ‘orgulhosamente só’”, numa alusão à célebre frase de António de Oliveira Salazar, simbolizando o isolamento internacional de Portugal durante o Estado Novo.
O líder parlamentar do PS comentou que “quando projetamos o futuro, com os pés firmes no ‘chão comum’ constitucional, lembramos sempre esse dia 2 de abril de 1976; ele projetou o futuro cortando com o passado”, esse passado a que alguns querem regressar.
“Sigamos os passos dos constituintes de 1976. Estaremos no caminho certo”
“Sigamos os passos dos constituintes de 1976. Estaremos no caminho certo”
Eurico Brilhante Dias assegurou que cabe aos democratas “continuar no presente a projetar um futuro democrático e justo, cumprindo a Constituição”. “Sigamos os passos dos constituintes de 1976. Estaremos no caminho certo”, garantiu.