PS diz que situação do ministro da Administração Interna Luís Neves “atingiu o limite do admissível”
O presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defendeu hoje que a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, “atingiu o limite do admissível no quadro do normal funcionamento das instituições”, depois de ontem o Ministério da Justiça ter ordenado uma auditoria interna à PJ no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna.
“São desenvolvimentos com especial gravidade. O assunto em torno do ministro da Administração Interna atingiu o limite do admissível no quadro do normal funcionamento das instituições. Já temos o Governo a investigar o Governo, a ministra da Justiça a promover o inquérito das atividades de um do seu colega de Governo”, afirmou, em declarações à agência Lusa o líder parlamentar do PS.
Eurico Brilhante Dias salienta que sendo o primeiro-ministro “o responsável exclusivo, único pela composição do Governo”, o PS “exorta o senhor primeiro-ministro a pôr ordem no Governo e a defender o respeito pelas instituições, que é aquilo que neste momento está em causa”, pediu.
Questionado se o único caminho para Luís Neves é sair do Governo, Eurico Brilhante Dias sublinhou que é uma decisão do chefe do governo: “o caminho central é o senhor primeiro-ministro exercer as funções de primeiro-ministro e colocar ordem no Governo. Isso passa por tomar seguramente decisões difíceis”.
A Polícia Judiciária, sublinha Eurico Brilhante Dias, está sob “um escrutínio de todo inédito”, mas é necessário não esquecer de salvaguardar as instituições. “O escrutínio é necessário, mas salvaguardar as instituições também e, neste momento, o Governo apresenta disfuncionalidades. É evidente que, neste momento, há dois ministros no Governo, um a promover o inquérito ao outro”, acusou.
Na quinta-feira, foi determinada a realização de uma avaliação interna, destinada a enquadrar as questões que têm vindo a ser divulgadas pelos meios de comunicação social, notícias relativas ao funcionamento interno da PJ e aos processos de avaliação eventualmente instaurados pela Direção de Serviços de Disciplina e Inspeção, unidade da Polícia Judiciária, atentas as competências dessa direção.
Segundo o ministério que tutela a PJ em paralelo, a Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça — que procede regularmente à auditoria e inspeção de todos os organismos da Justiça — realizará também uma auditoria à PJ.
