PS exige que governador do Banco de Portugal explique alterações ao contrato da nova sede
O deputado do PS Carlos Pereira exigiu explicações ao governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, sobre as alterações ao contrato da nova sede do Banco de Portugal e admitiu a existência de opacidade.
Depois de o Banco de Portugal ter informado, esta quinta-feira, que alterou o contrato-promessa da compra da nova sede em Lisboa, para ficar apenas com um edifício em vez de dois, afirmando existir uma redução do investimento em 35 milhões de euros, para 225 milhões, Carlos Pereira considerou que se passou da transparência de Mário Centeno “para a opacidade”.
“O que o governador do Banco de Portugal apresentou é um comunicado em que nós não conhecemos os projetos, as negociações, se houve auditoria àqueles projetos, para perceber se os projetos estavam todos adequados e salvaguardavam o interesse do Banco de Portugal, o interesse público”, alertou em declarações à comunicação social.
O socialista admitiu preocupação com esta solução “opaca”, que “não tem informação, não é transparente, não é rigorosa”. E frisou a importância de se conhecer a opinião do Conselho de Administração, que tinha consenso quando o ex-governador Mário Centeno apresentou a sua solução.
“Estamos a falar de uma solução completamente diferente, que custa mais por metro quadrado, que não reúne todos os serviços do mesmo espaço”, disse.
O deputado do PS referiu que o “governador do Banco de Portugal foi muito célere a fazer acusações ao anterior governador, mas está há três meses para responder à Assembleia da República a um pedido que foi feito pelo Grupo Parlamentar do PS a 11 de julho”, que exigiu que toda a documentação fosse enviada.
O comunicado desta quinta-feira “conclui que aquela obra fica 35 milhões de euros mais barata”, o que o socialista considera ser “outra mentira”.
“Tínhamos uma sede com 27 mil metros quadrados e agora uma sede com menos cinco mil metros quadrados. Estamos a comprar por metro quadrado um valor bastante superior. Se fizermos uma comparação ao preço que Mário Centeno queria comprar a sede anterior com a dimensão que Álvaro Santos Pereira quer comprar esta, estamos a falar de mais cinco milhões de euros”, esclareceu.
Assim, Carlos Pereira exige que Álvaro Santos Pereira explique “tudo isto nos próximos tempos” e admitiu mesmo vir a pedir uma audição parlamentar caso estas explicações não surjam até ao final do processo orçamental.
