2 anos de Governo AD: Sem resultados, com muita propaganda e pouca competência
Ao fim de dois anos de Governo AD, a sua ação começa a poder ser avaliada. Da propaganda inicial, sobra agora a desilusão para todos aqueles que se iludiram.
Talvez a expressão maior do insucesso desta governação seja mesmo a área da saúde. De um discurso inicial de sentido de urgência, em que um Plano de Transformação e Emergência, feito em 60 dias, nos traria resultados rápidos, estamos agora numa situação em que no SNS gastamos mais e temos menos consultas nos cuidados de saúde primários e nos cuidados hospitalares, menos episódios de urgência atendidos, um sistema de emergência médica em total desorganização e uma Ministra que mostra ser totalmente incapaz. Os problemas que se enfrentavam na saúde quando a AD chegou ao Governo não eram fáceis. O discurso de ilusão que a AD tinha chocou de frente com a realidade. Não só o Governo da AD se mostrou incapaz de resolver qualquer dos problemas que herdou, como agravou os mesmos pela sua ação e pelas suas inúmeras omissões.
Este é um Governo pouco preparado e profundamente incompetente. Um Governo que perante as situações de emergência paralisa, promete e não cumpre. O que se passou nas intempéries do início do ano é o exemplo acabado de um Governo impreparado e incompetente. No pico da crise, a Ministra da Administração Interna demitiu-se. Perante a aflição de famílias e empresas o Ministro da Economia veio dizer que os ordenados do mês anterior eram suficientes para as pessoas se aguentarem, para logo de seguida vir o Governo prometer apoios sem burocracias e com o dinheiro a chegar rapidamente. 4 meses depois, apenas foram pagos 39 apoios à reconstrução de habitações em Alcácer do Sal, de acordo com números do próprio Governo.
Este é também um Governo que “vende gato, por lebre”. Afirmaram na oposição que seria fácil colocar o País a crescer mais do que 3%. Herdaram um País a crescer 3,1% em 2023, e ainda não foram capazes de alcançar crescimentos que não sejam “em torno de 2%”. Isto apesar de o Governo AD – com o apoio do Chega – ter conseguido baixar o IRC, esse milagre para o crescimento económico que, afinal, não aconteceu. Agora, vem a conversa de que não basta baixar o IRC para a economia crescer mais. É preciso alterar a legislação laboral Uma proposta de alteração que enfraquece os trabalhadores: retira a obrigação de reintegração do trabalhador quando o despedimento é ilícito; permite que haja despedimentos coletivos e em substituição dos trabalhadores despedidos seja contratada uma empresa de prestação de serviços (em regime de outsourcing); coloca na esfera das relações individuais de trabalho a extensão do período diário de trabalho em mais duas horas.
Temos, pois, um Governo de promessas, propagandas e sem resultados. Um Governo que faz da sua ação uma estratégia permanente de sobrevivência. Não querendo discutir o “ritmo” do Governo da AD, não posso deixar de observar que este Governo não vai no bom caminho.
Fonte: António Mendonça Mendes. O Setubalense. 2 de junho de 2026
