A palavra dada
No passado dia 4 de julho, no XXII Congresso Federativo de Setúbal do Partido Socialista, em Sesimbra, José Luís Carneiro e eu firmámos um compromisso para a governação. A tinta das nossas assinaturas deu corpo à palavra empenhada e conferiu-lhe o peso de uma obrigação perante o distrito.
Neste primeiro de muitos compromissos, formulamos uma resposta integrada, mas ajustada, às duas realidades do território: os nove concelhos da Península e os quatro do Litoral Alentejano, crendo que um território só é verdadeiramente respeitado quando as suas diferenças são reconhecidas e traduzidas em políticas concretas.
Na habitação, a Península não parte do zero. Os programas, investimentos e operações em Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Alcochete, entre outros, resultam de decisões de governos socialistas. A habitação exige coragem, mas também tempo para projetar, financiar, licenciar e construir. Muitas operações estão em curso e outras já foram concluídas, importando agora reforçar a resposta, acelerá-la e dar-lhe maior escala.
No Litoral Alentejano, a pressão imobiliária afasta jovens e famílias e dificulta às empresas a fixação de trabalhadores. Assumimos, por isso, a criação de um Contrato Regional de Promoção da Acessibilidade à Habitação, colocando Governo, autarquias, fundos nacionais e europeus e empresas a trabalhar para o mesmo propósito.
No caso da Península assumimos ainda uma resposta face ao esgotamento próximo dos aterros: a primeira central de valorização energética a sul do Tejo, integrada numa solução metropolitana de gestão de resíduos. Em respeito pela vontade dos autarcas, transformaremos um problema iminente numa solução ambiental e energeticamente virtuosa.
Estes compromissos contrastam com os sinais de desistência do Governo face ao distrito. A desestruturação da rede de obstetrícia, com o encerramento da resposta no Centro Hospitalar do Barreiro/Montijo e a sua concentração no Hospital Garcia de Orta, revelou de imediato os limites do modelo. O prolongamento da concessão da Fertagus não resolveu os problemas estruturais e agravou o quotidiano de milhares de passageiros, entre sobrelotação, atrasos e supressões. Na Transtejo, apesar de os dez navios elétricos contratualizados e recebidos pelo Governo socialista já servirem outras linhas, o eixo Barreiro-Terreiro do Paço, o mais procurado, está ameaçado pela ausência de uma planificação séria para renovar a frota que assegura esta ligação. Na rede rodoviária, continuam por conhecer investimentos à altura dos estrangulamentos num território em acelerada expansão demográfica.
José Luís Carneiro compreende o valor estratégico deste território. No primeiro ano como secretário-geral, visitou o distrito mais vezes do que qualquer outro líder do PS desde o 25 de Abril. Essa presença traduz reconhecimento, trabalho e compromisso.
Conheço em José Luís Carneiro um homem que diz a verdade e honra a palavra dada. As assinaturas deixadas em Sesimbra não encerraram um congresso. Abriram um caminho: Vamos criar em Setúbal para ganhar Portugal.
Fonte: André Pinotes Batista. O Setubalense. 14 de julho de 2026
