A pesca no Alto Minho: tradição, desafios e futuro
O Alto Minho, rico em cultura e tradição, tem uma longa história na defesa de uma arte ancestral como a pesca.
Território de alto-minhotos que vivem do nosso mar e dos nossos rios, é também um território de desafios permanentes à manutenção e sustentabilidade desta atividade fundamental para a região e para a economia local.
Aos problemas estruturais que os nossos pescadores atravessam — como o recorrente assoreamento, portos de mar sem condições mínimas de segurança, espécies em perigo — juntam-se problemas conjunturais como as intempéries que têm assolado todo o país.
Perpetuar o legado dos nossos pescadores é também saber respeitá-los e trabalhar em conjunto para encontrar soluções.
Não basta o reconhecimento do setor. É preciso trabalhar em respostas concretas para que esta arte ancestral respeite o passado, garanta o presente e construa o futuro.
É por isso que temos de assumir desafios comuns, com uma só voz nas várias instâncias de intervenção. É essencial valorizar a zona portuária de Viana do Castelo e garantir a tão necessária reconfiguração do Porto de Mar de Vila Praia de Âncora. Ao mesmo tempo, são necessárias soluções imediatas que garantam desassoreamentos mais estruturais ou a inclusão, nos acordos transfronteiriços, de garantias quanto à preservação do caudal ecológico e à erradicação de espécies invasoras nas margens do rio.
Importa ainda, no momento excecional que atravessamos, perceber de que forma é que o atual quadro de apoios ao setor é suficientemente robusto para responder a todas estas famílias. Basta ouvir os nossos pescadores para perceber que é tempo de reavaliar estas respostas e a sua eficácia face às cada vez mais imprevisíveis condições meteorológicas que deixam tantas famílias em terra à espera de dias melhores.
Trabalhemos em conjunto, com objetivos comuns e um único foco: salvaguardar a pesca, os pescadores e as famílias que todos os dias mantêm uma arte ancestral, apesar dos constantes e desafiantes constrangimentos do seu dia a dia.
Fonte: Marina Gonçalves. Alto Minho. 12 de fevereiro de 2026
