A TAP: a notícia do verão 2026
Ao longo dos anos habituámo-nos às épocas estivais lentas, sem notícias, num espreguiçar merecido — e saudável — para retemperar as forças e o ânimo, de que todos precisamos para continuar a trabalhar, na nossa lufa-lufa diária. Esse tempo parece ter acabado.
O verão de 2026 foi pródigo em notícias. Da época de exames mais desastrada e incompetente de sempre, ao atrelado da PJ, sem esquecer uma inusitada e não explicada operação de compra de uma posição minoritária na REN. Tudo aconteceu.
E claro não podia faltar a cena de suspense — uma encenação ou não, quem sabe (talvez a PJ) — do assalto/roubo mais estúpido do mundo ao gabinete do deputado mais distraído e menos cuidadoso da Assembleia da República. O Deputado (Ventura) da porta aberta, que tinha documentos únicos e importantíssimos em cima da mesa, logo à entrada do gabinete e que, ainda assim, viu o possível ladrão revirar cuidadosamente uns quantos pertences.
Que nos valha São Bento, seguramente o santo protetor dos parlamentares portugueses, que terá intercedido para que o dano não fosse maior.
Ainda assim, apesar desta densa agenda estival, sempre a pôr o descanso dos líderes parlamentares em estado intermitente, a notícia do verão 2026 não é nenhuma das anteriores. Perdoem-me, mas a notícia do verão 2026 é a salvação da TAP. Afinal, disse o senhor primeiro-ministro em pleno Pontal, o dinheiro dos contribuintes, colocado para resgatar a companhia aérea da sua falência, será integralmente recuperado.
Não se tem ouvido muitos comentários; aliás bem pelo contrário, tem-se feito um silêncio que não percebo. Durante anos, o PS foi dizendo que a TAP é um operador económico único, com uma contribuição para o VAB muito relevante. Gera emprego direto e indireto, receita fiscal, exportação de serviços, liga as comunidades emigrantes ao seu país, e que sim, ter uma companhia aérea com base em Lisboa é um elemento que contribui para a competitividade da economia portuguesa.
Para o PSD — de Montenegro — era um crime, uma irresponsabilidade. Levou anos a dizer que o Estado não devia ter revertido e alterado os termos da ruinosa privatização (de última hora) em 2015, mas afinal agora descobriu que o Governo de António Costa, com os ministros Fernando Medina e Pedro Nuno Santos acertou em cheio: salvou a companhia, empregos, exportações e receita fiscal; vai embolsar uma quantia importante na alienação de parte da empresa e, pasme-se, diz que ainda vai receber dividendos durante anos.
Mudar de opinião até pode ser salutar, mas dar razão desta forma tão direta a um adversário político não é comum. Agradece-se a franqueza. É certo que tardia, mas lá se terá feito justiça ao esforço dos Governos do PS por não ter deixado cair a TAP, e por ter protegido o interesse nacional. Da IL e do CH não se ouviu nada. É normal. Ainda não sabem a quem fazer oposição, se ao PS, se a Montenegro. Mas claro, a notícia deita por terra horas de conversa fiada sobre o escândalo que era salvar a TAP depois de uma pandemia.
O PS — pela voz do seu secretário-geral José Luís Carneiro — já havia dito que uma das condições para o processo de privatização da TAP era garantir a recuperação do dinheiro investido no resgate da companhia aérea. E parece que assim será.
A notícia do verão 2026 é mesmo esta: afinal salvar a TAP foi mesmo uma boa decisão. Já faltou mais para que cheguem à mesma conclusão noutros assuntos: o tempo acaba sempre por de forma implacável fazer sobressair a verdade. Fica registado para memória futura.
