As contas não fizeram férias
Setembro é mês de regresso. Regressam as escolas, o trabalho e as rotinas. Mas há contas que nunca fizeram férias e que estão cada vez mais difíceis de pagar.
Durante o verão passei por várias ilhas, com mais tempo e calma para ver, ouvir e perceber em primeira mão o que preocupa os açorianos. Falei com agricultores, empresários, autarcas, associações e cidadãos. Cada ilha tem os seus desafios, mas há um sentimento comum. A vida está mais cara, o rendimento vale menos e muitas famílias e empresas já têm pouca margem para suportar novos aumentos.
Foi assim que setembro começou. Desde o dia 1, o gasóleo subiu 16,3 cêntimos por litro e a gasolina 3,5 cêntimos.
Nos Açores, este aumento percorre toda a economia. Pesa em quem precisa do carro para trabalhar, nas empresas, nos transportes, nas pescas e na agricultura. Torna mais caro produzir e fazer chegar os produtos às pessoas. No fim, volta a cair sobre as famílias, no combustível, nos alimentos e nos serviços que pagam todos os meses.
O rendimento não diminui apenas quando o salário baixa. Diminui também quando o mesmo salário compra cada vez menos. É isso que está a acontecer.
Também o turismo exige uma resposta séria. A quebra de passageiros e de dormidas já se sente na hotelaria, na restauração, no comércio e nas pequenas empresas que investiram, contrataram e acreditaram no crescimento do setor. Menos atividade pode significar menos emprego e menos rendimento.
Perante estes sinais, o Governo Regional escolheu passar agosto entre inaugurações e discursos de celebração de investimentos financiados pelo PRR. As obras são importantes e devem servir as pessoas. Mas uma agenda de cerimónias não esconde a passividade perante os problemas que entram todos os dias nas casas e nas empresas açorianas.
Os números do turismo não desaparecem por ficarem fora dos discursos. A subida dos combustíveis não pesa menos por haver mais uma fita para cortar.
Este setembro exige menos propaganda e mais ação. Proteger o rendimento, aliviar o custo de vida, apoiar quem produz e recuperar a dinâmica da economia regional, têm de ser prioridades reais.
Foi isso que ouvi neste verão. E isto deve ter consequência no trabalho de quem representa o Povo Açoriano. Escutar, conhecer a vida real de quem passa por dificuldades, e traduzir em trabalho, ideias e medidas concretas que melhorem um pouco o dia-a-dia das pessoas e encaminhem a nossa terra rumo ao Futuro que os Açores realmente merecem.
Fonte: Francisco César. Açoriano Oriental. 4 de setembro de 2026
