Controlo da população de javalis: o Governo tem de agir
Há dias foram avistados javalis na avenida Luísa Todi, em Setúbal. Esta situação da vinda de javalis do Parque Natural da Arrábida (PNA) para zonas urbanas do concelho é recorrente. Azeitão também tem experienciado esta ocorrência. Estamos, portanto, perante problemas de expressão cíclica.
É sabido que o número de animais é crescente. Já em 2016, foi referido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que a densidade populacional dos javalis estava acima da capacidade de suporte da área do PNA. Há, do ano passado, relatos de estragos e de ataques a pessoas. São conhecidas as queixas de concessionários das praias do Creiro e do Portinho da Arrábida, de agricultores e de outras entidades. Há efeitos e incómodos a que tem de se acudir, sendo que para a minimização do impacto de danos é importante saber se não é mesmo preferível ter respostas com ações preventivas.
Em maio de 2023, foi apresentado o Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, que assentou em três objetivos, a dimensão da estrutura e do tamanho da população, o acompanhamento e descrição dos aspetos fisiológicos, sanitários e das condições físicas dos animais e, ainda, a apreciação quer do habitat, quer de aspetos que possam ter efeitos na dimensão das consequências causadas pela espécie. É o resultado da informação que daqui resultou que se pretendia que servisse para “ a definição de planos estratégicos aplicados à gestão sustentável e mitigação de potenciais impactos negativos do javali, nomeadamente com os prejuízos agroflorestais e a disseminação de doenças”. Aliás, neste último aspeto é de notar que o javali tem vindo a ser considerado um assinalável “problema económico, social e, por vezes, ecológico e sanitário”. Passados dois anos queremos saber o que evoluiu na sequência deste plano.
Uma coisa é certa, não é aceitável termos grupos de javalis a deambular pela avenida Luísa Todi, nem pelos outros locais urbanos. Há, objetivamente, incómodos, riscos, que têm de ter resposta urgente e adequada, sendo evidente que a correção da densidade da população de javalis é crucial.
Exatamente por isso promovi um requerimento, dirigido à Ministra do Ambiente, onde pretende-se ver esclarecidas um conjunto de questões essenciais à resolução desta situação, nomeadamente que avaliações foram efetuadas e que medidas sustentáveis estão a ser colocadas em prática, em particular medidas preventivas para controlo da densidade da população de javalis.
Também não deixei de querer saber o que na sequência do Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, já com 2 anos, foi alterado.
Mas, esclarecimentos à parte, o Governo tem é de agir.
Fonte: Eurídice Pereira. O Setubalense. 2 de julho de 2025
