Custo de vida: o seu aumento e os seus impactos
“Custo de vida – o seu aumento e os seus impactos” é o mote das Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, a decorrerem no território da Área Metropolitana de Lisboa, a pouco mais de quinze dias do debate do Estado da Nação, a decorrer na Assembleia da República.
As Jornadas iniciaram no domingo e têm na segunda feira, dia em que é publicado este artigo, a sua agenda mais intensa. Os Deputados socialistas estarão em mais de duas dezenas de locais para dar expressão às cinco áreas temáticas que destacam e que têm na vida quotidiana dos portugueses um forte impacto: Economia e Emprego, Impactos Sociais, Transportes e Mobilidade, Habitação e Saúde.
No caso da Península de Setúbal, cujas reuniões e visitas decorrem na parte da tarde, há contacto com empresas, com comerciantes, com instituições de solidariedade social onde serão recolhidos testemunhos na primeira pessoa, nomeadamente de pessoas que trabalham mas que o aumento do custo de vida veio trocar as voltas, há deslocações de barco, autocarro e comboio para que se meça o pulso às condições, visitas aos Hospitais de Almada e de Setúbal, bem como à extensão de saúde no Samouco e, no plano de Habitação, serão visitados locais que tiveram envolvimento financeiro do PRR onde não falta a auscultação dos moradores. A prioridade é estabelecer contacto direto com as instituições, empresas, entidades públicas e populações.
O Grupo Parlamentar socialista constata que passados dois anos de governação da AD os portugueses vivem com mais dificuldades. Infelizmente os números e as vivências são disso testemunho irrefutável, pelo que é absolutamente compreensível a expressão da preocupação dos portugueses. Ilustrativo é o crescimento económico em queda, com o Produto Interno Bruto (PIB) a cair de 2,5%, em 2023, para 1,9%, em 2024 e 2025, bem como o aumento dos custos da habitação, com crescimento de 17,6 % em 2025.
A vida piorou. A inflação a 3,1% , que apesar de ter desacelerado, tem o contraponto no aumento do custo de vida. Veja-se a energia com aumento de 11,7% e os produtos alimentares a disparar para mais 7,4%. A carga fiscal aumentou para 35,4% do PIB.
Acrescem outras inquietações como na área da saúde que piorou a capacidade de resposta. 1,6 milhões de utentes sem médico de família, mais de 1 milhão de pessoas aguardam a primeira consulta hospitalar e é elevado o número de doentes que ultrapassam o tempo máximo garantido de réplica.
Não posso deixar, ainda, de referir que face às crises externas, como as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, ou inesperadas, como os impactos das intempéries, o Governo revela, das duas uma, ou insensibilidade ou incapacidade. Afinal, nestas circunstâncias, é sempre recomendável medidas temporárias de mitigação exatamente na dimensão do que verdadeiramente é adequado.
Portanto, as Jornadas Parlamentares dos 58 Deputados eleitos pelo PS terão conclusões e essas conclusões terão inevitavelmente propostas e recomendações ao Governo. É essa a postura de quem quer trabalhar com e para o país.
Fonte: Eurídice Pereira. O Setubalense. 29 de junho de 2026
