De novo o Acesso às Praias
Já aqui tive oportunidade de partilhar algumas reflexões sobre a forma como o acesso às praias do distrito tem vindo, por diversas razões, a ser condicionado.
Hoje volto ao tema. Ao longo de décadas, a linha de costa de Almada foi completamente abandonada ao improviso. Assim foram crescendo de forma desordenada aglomerados junto às praias, os “parques de campismo” tornaram-se espaços de uso privativo de alguns, o acesso às praias um inferno para muitos. As coisas estão a mudar, mais devagar do que porventura desejaríamos, mas está a mudar.
O Pólis não foi para mim uma intervenção bem sucedida. Melhorou certos aspetos, mas não me parece que a opção arquitetónica tenha sido a mais ajustada, e o tempo vai degradando os espaços, pelo que urge encontrar uma solução. Mas é inegável que a intervenção da Câmara Municipal para tornar o espaço mais qualificado, designadamente com a introdução dos campos de jogos, foi no sentido positivo. Como também a entrada na Costa de Caparica, vindo do IC20 (já alargado e requalificado), é hoje muito diferente, quer em termos de tráfego que em termos de qualificação da entrada, com a introdução da rotunda. A requalificação da Rua dos Pescadores trouxe também uma melhoria significativa à artéria mais emblemática desta cidade.
Mas onde vejo uma mudança muito evidente é na forma como se tem enfrentado toda a linha de costa das praias de transição até à Fonte da Telha. Recordo que este é um território com múltiplas entidades com jurisdição, que fazem desesperar qualquer autarca. A verdade, porém, é que a persistência da Presidente Inês de Medeiros permitiu dar passos muito relevantes: Começou com a requalificação da Fonte da Telha (perante as críticas de muitos e o aplauso generalizado quando se olhou para a obra), prosseguiu com a requalificação da Avenida do Mar e das estradas das praias (incluindo a estrada florestal). É para todos óbvio a melhoria, com a introdução de ciclovias, o enterramento das linhas de elétricas e a melhoria do piso e das rotundas para disciplinar o trânsito, bem como um maior rigor no estacionamento ilegal.
Com o início do Verão, a generalidade dos utilizadores das praias pode constatar que finalmente está em curso uma nova obra – há muito ansiada. Trata-se do acesso da estrada às praias, da Estrada Florestal à Praia do Rei até à Praia da Bela Vista. Uma obra que demorou, porque demoraram as autorizações ambientais (e mais do que demorou, foi precisa muita persistência para que entendessem que a situação atual é mesmo a que menos serve a preservação da paisagem e do ambiente). Uma obra que não pode ser feita em períodos de chuvas e por isso tem de aguardar pelos meses imediatamente anteriores e posteriores ao pico do Verão. Ou seja, não foi uma opção fazer estas obras no Verão, quando durante o Inverno tal seria mais aconselhável pela ausência de pressão na utilização das praias. Teve mesmo de ser este o calendário. Estou certo que esta melhoria será bem recebida por todos. Até lá, teremos de passar pelo incómodo das obras.
Fonte: António Mendonça Mendes. O Setubalense. 27 de junho de 2025
