É urgente garantir uma resposta eficaz e de proximidade na saúde do Alto Minho
Os problemas estruturais na saúde no distrito de Viana do Castelo não são novos nem se resolvem de um dia para o outro. Mas exigem estratégia, um caminho definido e respostas eficazes.
Um território tão disperso precisa de melhores soluções de mobilidade, mas também de aproximar os cuidados de saúde das populações, através de respostas mais acessíveis, modernas e adequadas às necessidades.
Há ainda muito caminho a percorrer, mas o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) representou uma oportunidade de investimento estratégico no território. Foram previstos investimentos na reabilitação e expansão dos centros de saúde do distrito, no reforço da resposta de proximidade e cerca de 30 milhões de euros de investimento nas instalações do Hospital de Santa Luzia, nomeadamente no serviço de urgência.
Estes investimentos não resolveriam, por si só, todos os problemas do Serviço Nacional de Saúde no Alto Minho. Mas permitiriam reforçar as condições infraestruturais da prestação de cuidados e melhorar a capacidade de resposta.
A estratégia foi definida e os investimentos foram anunciados. Porém, terminado o período de execução do PRR, importa avaliar o que foi efetivamente concretizado e garantir que os investimentos que ficaram por realizar não são abandonados, mas concretizados através de outras fontes de financiamento.
Olhar para os territórios de baixa densidade e respeitar os alto-minhotos implica cumprir os compromissos assumidos e assegurar que os investimentos previstos se traduzem em melhores cuidados de saúde. Implica, acima de tudo, continuar uma resposta de proximidade, que não deixe ninguém para trás em função do concelho onde vive.
Esta realidade merece uma reflexão séria. O dinheiro que não chega a tempo não é um problema meramente contabilístico. Significa oportunidades de melhoria que ficam por concretizar. E, na saúde, o investimento só cumpre verdadeiramente o seu propósito quando chega às pessoas.
Só assim será possível garantir que o investimento público contribui para reduzir desigualdades e promover uma verdadeira coesão territorial.
