Governo da AD responde mal às crises
Está-se a assinalar 4 meses das tempestades que devastaram territórios.
O Município de Alcácer do Sal identificou prejuízos em estradas, edifícios municipais, equipamentos de utilização coletiva, enfim, situações sob a sua alçada, na ordem dos 80 milhões de euros. Valor mais do dobro de 2 orçamentos municipais executados.
Até agora recebeu da administração central cerca de 2,5 milhões de euros, dos quais um valor de 600 mil euros de adiantamento. Migalhas no contexto das necessidades, mas que teve o despropositado autoelogio do Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida.
Acresce que a autarquia aguarda que seja desbloqueado o contrato programa, segundo a Unidade de Missão há 2 meses no Ministério, para que sejam pagos os monoblocos alugados que alojaram 17 famílias cujas casas inundaram.
Os impactos da lentidão das decisões do Governo são prejuízos reais para o restauro da normalidade nos concelhos, em particular nas situações mais prementes.
Alcácer do Sal é disso exemplo. Depois da mediatização e dos contactos iniciais, o desaparecimento. Não perguntam sequer o que se passa.
Leiria é outro caso, o principal, com a Marinha Grande, na dimensão da devastação.
O Município identificou mais de 193 milhões de euros de prejuízos da sua esfera, recebeu 11 milhões até agora e já investiu 37, dos quais 4 milhões em IVA que retorna ao Estado e encolhe o adiantamento para 7 milhões, menos de 5% do desastre.
Dar nota que não são conhecidos os fundamentos que sustentam a chave de repartição das verbas entre os territórios afetados. A não ser esclarecido é fácil deixar ideia de opacidade.
Aliás, é fundamental que seja publicado um relatório, por concelho, sobre a dimensão dos danos. Este passo é imprescindível para que se assegure proporcionalidade no caminho para a recuperação dos territórios afetados. É muito difícil entender como é que 4 meses depois não exista esta diligência concretizada, até porque é essencial para a aplicação do PTRR-Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.
Sabe-se que as tempestades provocaram atrasos na execução de empreitadas financiadas pelo PRR-Plano de Recuperação e Resiliência. O Governo deu garantias que se prendem com empréstimos ao BEI, mas a 3 meses de terminar o Plano subsistem dúvidas significativas para que os Municípios saibam as ‘linhas com que se cosem’.
Os Municípios, aqueles que foram eficazes e fizeram tudo o que podiam e ainda lá estão, todos os dias, querem, justificadamente, saber com o que podem contam.
Certo, passados 4 meses, é que há pessoas isoladas sem comunicações e acesso à televisão, crianças a terem aulas na igreja, bombeiros em tendas e sem rede para estabelecer comunicações, casas sem telhado e pessoas sem condições financeiras de os colocar, comerciantes, nomeadamente restauração, sem programa de auxílio e a desesperarem com o passar do tempo e empresários que encontram resposta apenas no endividamento adicional
Está visto que o Governo da AD responde mal às crises. Vejam-se as poucas e restritas medidas sobre os impactos financeiros da guerra e a lentidão com que estão a lidar com os efeitos das violentas agressões meteorológicas. Imagine-se o que seriam a lidar com uma pandemia… (melhor nem sequer imaginar!).
Fonte: Eurídice Pereira. SemMais Jornal. 29 de maio de 2026
