O Alto Minho e a sua localização transfronteiriça
A ligação do Alto Minho à Galiza tem, ao longo dos últimos séculos, constituído um veículo de desenvolvimento comum do território ibérico e uma oportunidade de promover parcerias estratégicas em áreas como a mobilidade, a cultura, a biodiversidade ou a economia local.
Como se de uma extensão do próprio território se tratasse, a vida neste território convive diariamente com a presença de quem aqui vive, trabalha, estuda e consome em ambas as margens.
No entanto, continuam a subsistir fragilidades claras no aproveitamento deste posicionamento estratégico em áreas públicas fundamentais como a mobilidade, e respetivas infraestruturas, a saúde, o emprego, ou o desenvolvimento económico de toda esta região transfronteiriça.
É uma região que funciona cada vez mais como um território único, mas que continua a evidenciar, em muitos aspetos comuns, modelos de governação separados.
Temos de ser capazes, coletivamente, de tornar esta governança cada vez mais próxima, garantindo o reforço da cooperação nas infraestruturas rodoviárias e ferroviárias comuns (como o caso da Alta Velocidade), apostando mais em soluções ibéricas; uma maior articulação de serviços públicos, por exemplo na área da saúde, garantindo ganhos de escala na sua gestão, mas também melhorias na resposta à população; uma política fiscal, administrativa e social semelhante entre os dois países, tendo em conta o número de trabalhadores transfronteiriços; ou o reforço da união geográfica promovida pelo Rio Minho, salvaguardando também a sua união institucional que ultrapasse os atuais constrangimentos de navegabilidade e promova uma maior diversidade e melhor utilização.
A pergunta que se coloca é se a cooperação atual é suficiente para o desafio comum que podemos abraçar a bem do nosso território e a resposta parece bastante evidente. Não!
Já existem muitos desenvolvimentos com a criação de Eurocidades, projetos e estratégias comuns e com a criação de um Agrupamento Europeu de Cooperação Transfronteiriça, mas continua a ser evidente a necessidade de quebrar as barreiras administrativas ainda existentes entre os dois territórios para responder à vida dos portugueses.
Se o Rio Minho é a coluna vertebral de um território transfronteiriço, falta-nos fazer com que também o seja a nossa governação.
