O Estado da Nação – Setúbal
No fim de cada sessão legislativa, o Parlamento faz um debate designado por “Estado da Nação”. Este debate procura fazer um balanço da evolução do País e perspetivar o ano seguinte. Aproveita-se o período antes da pausa de verão para Governo e Oposição apresentarem os seus argumentos sobre o rumo que o País teve e terá no próximo ciclo, que coincide com os anos letivos, não com os civis. É uma boa tradição democrática parlamentar.
Gostava de me concentrar no distrito de Setúbal. Houve uma mudança política nas últimas legislativas: o PS perdeu no distrito, interrompendo um ciclo de vitórias iniciado em 1995. Em outubro termina o atual ciclo autárquico e veremos qual será a nova configuração do poder local. Há dúvidas sobre a transposição dos resultados legislativos para as autárquicas. No distrito, isso não tem sido hábito, mas especular é irrelevante. Aguardemos por 12 de outubro. Os eleitores conhecem os seus autarcas, e isso pesa.
A vida quotidiana dos residentes no distrito não melhorou com a AD, que governa há 16 meses e já formou dois governos. Na saúde, vemos o encerramento de urgências de obstetrícia, a contínua falta de médicos de família e a recusa do Governo em abrir vagas carenciadas suficientes nas Unidades Locais de Saúde. Na educação, não houve avanços, sendo exemplo disso a ausência do Governo na discussão sobre garantir o ensino secundário na Quinta do Conde. O atendimento nos serviços públicos não melhorou. A sobrelotação dos transportes públicos agravou-se.
Seria possível resolver todos os problemas em 16 meses? Não. O PS fez tudo bem nos últimos 8 anos que governou? Também não. Mas uma discussão séria deve reconhecer que o PS não fez tudo mal. E fez muitas coisas bem. Este Governo da AD também não fará tudo mal. Mas não podemos ignorar que, no dia a dia dos cidadãos do distrito de Setúbal, o Governo da AD não resolveu nenhum dos grandes problemas e agravou vários.
Resta um horizonte de esperança. Há projetos que avançam: a extensão do MST até à Trafaria e Costa de Caparica, prosseguida nos mesmos termos fixados pelo Governo PS; o novo aeroporto de Lisboa avança, decidido com base no trabalho feito pelo Governo PS; a terceira travessia do Tejo, rodoferroviária, cujo projeto inclui a ponte Barreiro-Seixal, foi agora anunciada como prioridade pela AD. O Governo anunciou ainda um novo modelo de gestão para os territórios do Arco Ribeirinho Sul. Aguardemos.
Temos razões de preocupação, porque os problemas do dia a dia se agravam. Temos razões para nos preocupar com os problemas da habitação e com o ressurgimento de barracas em terrenos do Estado central, como por exemplo em Almada, sem que o Governo mostre qualquer preocupação. Temos o problema dos mariscadores nas margens do Tejo (em particular no Samouco), cuja resolução não avança. O Hospital do Seixal continua a ser uma miragem. Tudo problemas que requerem soluções, que não são simples. Por isso devemos aguardar pela ação do Governo. E aguardemos, com expetativa, nos resultados na concretização de projetos acima enunciados e que há muito são ambicionados.
Fonte: António Mendonça Mendes. O Setubalense. 18 de julho de 2025
