Pior e Sem Direção
Esta semana milhares de estudantes esperam as suas notas. Anos a fio de estudo e investimento das famílias em suspenso. Um sistema fiável e de confiança foi substituído pela incerteza. A imagem de milhares de exames, empilhados num armazém, onde presumivelmente os funcionários procuram as folhas em falta, num sobressalto contínuo dos professores, com mais provas para corrigir ou provas que subitamente desaparecem, é a imagem de um Governo que não tem respeito pelos portugueses. Joga com a vida de milhares de alunos. É o mesmo Governo que disse que resolveria o difícil tema dos alunos sem professor; hoje não há números – desapareceram – e os sindicatos afirmam que 2025/2006 foi pior.
Piorar ou agravar é também aquilo que se sente nos últimos dois anos na saúde. Menos consultas, menos cirurgias, mais listas de espera e mais utentes sem médico de família. As grávidas a percorrer as estradas para ter os seus filhos; o INEM em verdadeiro rebuliço institucional, com impactos severos na urgência pré-hospitalar.
Na habitação, Portugal bate recordes de aumento de preços, quer para arrendar, quer para comprar. Foi mesmo em termos homólogos o país da União Europeia, a 27, onde o índice de preços da habitação mais subiu (17,8%). Más políticas – uma renda moderada são 2300 euros por mês? – levam a maus resultados.
Os combustíveis e o cabaz alimentar continuam a aumentar. O primeiro supera os 253 euros; esta semana há gasolineiras a cobrar mais de 2 euros por litro de gasolina 95 (simples). Os apoios são insuficientes e tardios. Quem vive em Leiria continua à espera. À espera dos telhados, de estradas reparadas, de apoios prometidos a empresas e instituições. O sentimento de abandono é sentido pelas populações
O Primeiro-Ministro ausenta-se do país, comenta os resultados da Seleção, passa ao lado dos portugueses país e dos seus problemas. A realidade desmente a propaganda. Um Governo que agravou os problemas herdados – que nunca dissemos que seriam fáceis de resolver – e gerou outros. Como, infelizmente, hoje os alunos e as suas famílias sentem. O país merece melhor.
Fonte: Eurico Brilhante Dias. Correio da Manhã. 16 de julho de 2026
