Nota à Comunicação Social
PS quer ouvir com urgência diretora de informação cessante da Agência Lusa e Conselho de Administração
O Grupo Parlamentar do PS pediu a audição, com carácter de urgência, do Conselho de Administração da Agência Lusa, da diretora de informação cessante, Luísa Meireles, e dos diretores-adjuntos de informação, Nuno Simas e Maria de Deus Rodrigues, sobre a cessação de funções da Direção de Informação e a independência editorial da Lusa.
No requerimento enviado à Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, os deputados Porfírio Silva, Paulo Lopes Silva, Dália Miranda e Margarida Afonso assinalam que, a 8 de outubro de 2026, foi noticiado pela comunicação social que a diretora de informação, Luísa Meireles, deixa as funções a 12 de outubro, na sequência de uma proposta de saída apresentada pelo Conselho de Administração, que aceitou, tendo sido celebrado um acordo de cessação do contrato de trabalho.
Esta decisão surge escassos dias depois de o presidente do Conselho de Administração da Agência Lusa ter afirmado, no Parlamento, não existir intenção de mudar a Direção de Informação, e dificilmente se concilia com a confiança que a própria administração afirma ter sempre depositado na diretora.
A 9 de outubro, foi ainda noticiado que a Administração da Lusa vai reformular as cláusulas dos contratos dos delegados internacionais, depois de o Conselho de Redação os ter denunciado no Parlamento e de a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista ter considerado que o contrato contém cláusulas incompatíveis com o exercício da profissão de jornalista.
A comunicação social divulgou ainda alegadas divergências entre o Conselho de Administração e a Direção de Informação quanto à nomeação de jornalistas para a delegação de Bruxelas.
Estes factos ocorrem num contexto de especial atenção à agência, com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) a concluir, na Deliberação de 9 de setembro de 2026, que a reestruturação da Lusa “não está conforme” com o funcionamento independente de um meio de comunicação social público. A própria Direção de Informação avisou publicamente, a 22 de setembro, que a presença de um “elemento político” nos processos de decisão “desvirtua a lógica dos critérios editoriais”.
De acordo com os socialistas, torna-se indispensável que a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto obtenha os esclarecimentos que são devidos por parte de uma empresa do Estado.
O Grupo Parlamentar do PS requer, assim, se possível antes da designação da nova direção de informação, as audições do Conselho de Administração da Lusa, de Luísa Meireles, de Nuno Simas e Maria de Deus Rodrigues, admitindo a sua realização conjunta com as audições requeridas por outros grupos parlamentares com o mesmo objeto.
O Partido Socialista requer ainda que o Conselho de Administração remeta à Comissão, previamente à audição, a deliberação relativa à proposta de cessação de funções da diretora de Informação e o modelo de contrato dos delegados internacionais efetivamente assinado.
Gabinete de Imprensa do GPPS
12 de outubro de 2026