PS avisa Governo que não pode brincar com o problema da habitação
O vice-presidente da bancada socialista Luís Testa asseverou que o PS não pode alcançar o consenso com um Governo que quer que “os portugueses se endividem para arrendar casa” e sugeriu que o Executivo da AD entregue à população portuguesa as 32 mil casas que o anterior Governo do PS lançou.
“O Partido Socialista entende que o problema da habitação é sério, que não é um problema com o qual se brinque nem no tempo, nem na forma”, vincou Luís Testa em declarações à comunicação social.
O socialista notou que nestes dois anos “que o PSD governa com o apoio do CDS, e muitas vezes com o apoio do Chega”, o Programa Mais Habitação “tem vindo a ser desvirtuado numa tentativa de liberalizar o mercado, de alguma forma desproteger os mais vulneráveis, os jovens e as famílias com menos rendimentos”.
“Não podemos estar à mesma mesa de um Governo que a única coisa que propõe aos portugueses é uma solução de endividamento”
“Não podemos estar à mesma mesa de um Governo que a única coisa que propõe aos portugueses é uma solução de endividamento”
Ora, o Partido Socialista não pode estar “à mesma mesa de um Governo que propõe aos portugueses uma solução de endividamento”, assegurou Luís Testa, acrescentando que “os portugueses já estão habituados a endividar-se para comprar casa e aquilo que o Governo agora vem sugerir é que os portugueses se endividem para arrendar casa”.
Quanto às desculpas que o PSD tem apresentado, o deputado considerou tratar-se de “desculpas de mau pagador e que deviam provocar vergonha a quem as profere”. O socialista explicou que “aquilo que se pede ao Governo e a um partido que suporta o Governo não é encontrar em realidades passadas a justificação para a própria inação”.
“Hoje em dia, procurar uma casa em Lisboa é mais caro do que procurar uma casa em Madrid ou em Barcelona”, lamentou.
Solução passa por uma nova lei do arrendamento
Luís Testa garantiu que a única solução para o problema da habitação em Portugal é “uma nova lei do arrendamento”. “Esta lei, tal qual foi trazida ao Parlamento, não pode merecer consenso qualquer”, disse.
O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS deixou um recado ao ministro das Infraestruturas e Habitação: “Se o ministro Pinto Luz estiver disponível para alterar o seu conceito de sociedade, em que cada um é livre de contratar como quer, com quem quer e nos termos em que quer, respeitando aquilo que é um direito social constitucionalmente protegido – o direito à habitação –, nós estaremos onde sempre estivemos, do lado dos portugueses”.
E acrescentou que o Partido Socialista está “inteiramente disponível para participar num debate que envolva todos os agentes, os municípios, o Estado, as cooperativas para promover habitação e, sobretudo, habitação de natureza pública”.
Luís Testa defendeu que o problema estrutural na habitação só se resolver se for feito o que o Governo do PS fez “em 2021 com o lançamento do PRR Habitação, quando foram lançadas 32 mil casas para disponibilizar à população portuguesa”. “Se o Governo não sabe fazer melhor, nem sabe fazer mais, que pelo menos entregue à população portuguesa as 32 mil casas que nós deixámos contratualizadas, adjudicadas, muitas em obras e muitas já terminadas”, apelou.
Sobre os “ziguezagues constantes do Chega”, o deputado do PS referiu que ao “estar a responder ao Chega, corria o risco de estar a responder sempre a uma versão passada, porque o Chega encontra a todo o tempo, em todo o espaço motivos para alterar a sua própria posição”.
