PS vai exigir fim de rendas moderadas de 2.300 euros
O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, António Mendonça Mendes, assegurou que o Partido Socialista vai para a negociação com o primeiro-ministro sobre habitação de “espírito aberto”, mas deixou claro que uma renda de 2.300 euros “não é moderada em lado nenhum em Portugal”.
No final de uma reunião da direção da bancada do PS com o secretário-geral, José Luís Carneiro, na Sede Nacional do Partido Socialista, sobre as propostas a apresentar na especialidade do Orçamento do Estado para 2027, António Mendonça Mendes revelou que os socialistas levarão à reunião de amanhã com Luís Montenegro cinco propostas para responder à crise da habitação.
“Não vamos para esta negociação com linhas vermelhas”
“Não vamos para esta negociação com linhas vermelhas”
“Não vamos para esta negociação com linhas vermelhas, estamos de espírito aberto”, garantiu António Mendonça Mendes em declarações à comunicação social, sustentando que o Governo da AD tem de perceber que “2.300 euros de renda não é uma renda moderada em lado nenhum em Portugal”.
Segundo o deputado, esta é a primeira proposta do PS, ou seja, o fim do conceito da renda moderada de 2.300 euros e o regresso à “lógica de renda acessível em termos de benefícios”.
António Mendonça Mendes assegurou que as cinco medidas “protegem a vulnerabilidade, ajudam a equilibrar e dar garantia ao mercado relativamente ao arrendamento”, acabam com o que “inflaciona os preços, que é a ideia de uma renda moderada de 2.300 euros”, e “asseguram a sustentabilidade das contas públicas”.
Ora, a segunda proposta prevê o abandono das cauções ilimitadas e das rendas ilimitadas. “Continuamos a defender que deve haver uma garantia pública que assegure um equilíbrio no mercado entre os proprietários e os arrendatários”, frisou.
O Partido Socialista propõe também uma “moratória relativamente à caducidade de todos os contratos de arrendamento até 31 de dezembro de 2027” para dar segurança a quem está numa situação mais vulnerável, adiantou.
O PS vai “propor que o património do IHRU possa ser cedido às autarquias para que possam, com os meios financeiros que podem ser mobilizados através de um fundo a constituir com a banca comercial nacional e garantida pelo Estado, assegurar a requalificação do nosso parque habitacional”, referiu.
Por fim, os socialistas querem a isenção das mais-valias para as segundas habitações que sejam vendidas, até 300 mil euros, e que se destinem à habitação própria e permanente e que estejam nas zonas de pressão urbanística.
“As contas certas vão manter-se”
“As contas certas vão manter-se”
António Mendonça Mendes quis deixar claro que “as contas certas vão manter-se”. “Em tudo o que depender do PS, o saldo orçamental pode sair exatamente como está. É tudo uma questão de escolhas. Quando nós gastamos 200 milhões de euros a dar um benefício a rendas de 2.300 euros, sobra menos dinheiro para beneficiar rendas de 600 ou 700 euros. E, portanto, nós queremos inverter essa realidade”, defendeu.
