
PS quer a implementação da terapia fágica em Portugal para combater resistência a antibióticos
A deputada do PS Eurídice Pereira defendeu a implementação da terapia fágica em Portugal, depois do sucesso na Bélgica, com o intuito de responder a casos de infeções resistentes a antibióticos.
“A luta pela implementação do modelo belga de terapia fágica em Portugal é a busca da validação desta terapia como medida estratégica e alternativa promissora, num país que apresenta no contexto europeu uma das mais expressivas taxas de prevalência de infeções resistentes aos antibióticos”, sustentou a socialista durante a apresentação do projeto de resolução do PS.
Eurídice Pereira recordou que a implementação na Bélgica aconteceu há quase uma década e “teve, com sucesso, o propósito de responder a casos de infeções bacterianas multirresistentes, complementando ou substituindo os tratamentos tradicionais com antibióticos”.
“Estamos perante uma arma no combate ao problema cada vez maior de resistência a antibióticos”, vincou a socialista, esclarecendo que “é um tratamento personalizado numa terapia mais direcionada que não contribui para o desenvolvimento de resistências”.
A parlamentar indicou que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, “morrem cerca de 700 mil pessoas por ano de doenças infeciosas causadas por bactérias resistentes”.
Ora, foi com “agrado” que o Grupo Parlamentar do PS recebeu a notícia, em 2024, de uma “deliberação do Infarmed que constitui uma norma orientadora que permite enquadrar a utilização de medicamentos manipulados para terapia fágica em contexto hospitalar”. Para Eurídice Pereira, este enquadramento “representa um sinal importante de abertura regulatória, prudência técnica e compromisso com a inovação terapêutica”.
Assim, a bancada do PS apresentou um projeto de resolução que é um “contributo para que a terapia fágica possa deixar de ser apenas uma possibilidade teórica e passe a constituir uma resposta efetivamente utilizável em contexto clínico, com segurança e responsabilidade”.
“Quanto à implementação prática, considera-se crucial que o processo de validação pelas comissões hospitalares seja ágil e eficiente”, disse.