
Plano do Governo para a saúde é um “ato voluntarista”
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou que o Plano de Emergência e Transformação da Saúde (PETS) do Governo da AD não passa de um “ato voluntarista” e aconselhou o Executivo a não “oferecer respostas fáceis para questões complexas” como é o caso da saúde.
No encerramento do fórum “Plano de Emergência e Transformação da Saúde (PETS): Dois Anos de Anúncios por Cumprir”, organizado pelo Grupo Parlamentar do PS, José Luís Carneiro comentou que o PETS “mais não foi do que um ato voluntarista” – a forma “mais diplomática” que arranjou para o classificar – e frisou que, de acordo com os números oficiais, “em 2025 houve menos 760 mil consultas nos centros de saúde”. “Isto diz bem de como este plano foi meramente um ato de voluntarismo que não tem substância para podermos classificá-lo de outra forma”, sustentou.
De acordo com o secretário-geral do PS, a melhor forma de se evitar “cair no erro” da AD é “não procurar oferecer respostas fáceis para questões que são complexas e difíceis” e, ao mesmo tempo, “não ir contra aquilo que está a ser bem feito só pelo facto de não ter sido proposto por nós”.
Instalou-se uma crise na capacidade de gestão dos cuidados de saúde
José Luís Carneiro defendeu a necessidade de se “garantir maior autonomia às administrações hospitalares” e frisou que esta área “deve suscitar uma ampla convergência política” para que se possa garantir que nas administrações hospitalares há “a qualidade, a experiência, o mérito, uma cultura de serviço público e uma cultura de compromisso com os interesses gerais do Estado”, o que “significa também dar maior autonomia aos conselhos de administração” dos hospitais.
“Estarmos quase no fim de maio sem os planos de desenvolvimento organizacional dos hospitais diz bem da crise que se instalou na capacidade de gestão e de organização dos cuidados de saúde”, criticou.
“Estarmos quase no fim de maio sem os planos de desenvolvimento organizacional dos hospitais diz bem da crise que se instalou”
“Estarmos quase no fim de maio sem os planos de desenvolvimento organizacional dos hospitais diz bem da crise que se instalou”
O líder do Partido Socialista sublinhou ainda a importância da “implementação do Registo Único de Saúde que seja interoperável não apenas entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares, mas também com as respostas que são dadas pelo setor social e por outros setores”.
Para além de ter “uma ideia muito clara sobre a importância de reformarmos os cuidados primários”, José Luís Carneiro salientou a necessidade de se “valorizar a autonomia e a capacidade para atrair e fixar os profissionais” de saúde. Em primeiro lugar, tem de se integrar o “internato médico na carreira médica” e, em segundo, introduzir a “especialidade dos enfermeiros na sua prática profissional e no seu contexto de trabalho”.
No final da sua intervenção, José Luís Carneiro referiu que, “de muito bom grado”, o Partido Socialista transmitiu ao Presidente da República a sua disponibilidade para “participar no diálogo interpartidário para constituir uma resposta duradoura” na saúde.