PISA 2025: PS diz que leituras simplistas não ajudam a encontrar as respostas necessárias
O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS Porfírio Silva pediu que se deixe “de lado leituras apressadas e simplistas” sobre o relatório PISA 2025, ontem divulgado pela OCDE, e considerou “gravíssimo” que o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, tenha dito que o Governo da AD não tem qualquer responsabilidade nos resultados.
“Os primeiros resultados do PISA 2025 ontem divulgados exigem-nos a todos uma reflexão e exigem que deixemos de lado leituras simplistas”, comentou Porfírio Silva em declarações à comunicação social.
Segundo o relatório, Portugal continua na média da OCDE, mas “não podemos estar descansados, porque os dados indicam que há um declínio prolongado e global das aprendizagens na OCDE”, vincou o deputado.
“Uma análise responsável dos dados terá de passar por entender que estamos perante uma mudança cultural, que inclui uma crise das práticas de leitura, um uso mal calibrado do digital – onde o ‘tudo digital’ ou o ‘nada digital’ são respostas igualmente erradas ou incapazes de enfrentar a situação –, a necessidade de apostar mais nos professores, a necessidade de melhorar o sentimento de pertença dos alunos à escola e a necessidade de trazer as famílias para uma proximidade maior à vida escolar dos alunos”, frisou.
“O que precisamos não é de manipular os dados para querelas político-partidárias”
“O que precisamos não é de manipular os dados para querelas político-partidárias”
Porfírio Silva sustentou que “estamos perante desafios de fundo” e, por isso, “o que precisamos não é de manipular os dados para querelas político-partidárias, mas sim de começar a fazer as perguntas certas para encontrar as respostas necessárias”.
PS pede à CNE relatório solicitado há quase um ano
No sentido de melhorar a aprendizagem dos alunos portugueses, o Grupo Parlamentar do PS pediu ao Conselho Nacional de Educação (CNE) que envie à Assembleia da República “o mais brevemente possível” o estudo sobre a revisão do Estatuto do Aluno e Ética Escolar, que foi solicitado há quase um ano.
O vice-presidente da bancada socialista explicou que é essencial conhecer este estudo, porque “é preciso reforçar o combate às velhas e novas formas de violência e de indisciplina nas escolas, designadamente aquelas que são potenciadas pelas tecnologias digitais”.
É igualmente necessário “reforçar e desburocratizar as medidas disciplinares que devem estar em estreita relação com medidas preventivas e com medidas pedagógicas, reforçando a ligação entre direitos e deveres de todos os intervenientes na comunidade escolar e trabalhar para ambientes de aprendizagem mais seguros”, acrescentou.
Porfírio Silva adiantou que o Grupo Parlamentar do PS vai voltar a apresentar um projeto de lei para a revisão e melhoria da gestão das escolas, “no sentido de aumentar a colegialidade dos órgãos das escolas e agrupamentos, reforçar a participação de todos os corpos da comunidade escolar naquilo que diz respeito à orientação da gestão e às dinâmicas pedagógicas, e reforçar a participação dos alunos na vida da escola”, enumerou.
É uma irresponsabilidade do Governo pôr-se de parte do que se passa nas escolas
Porfírio Silva comentou também as declarações do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros sobre o PISA 2025, que, “numa circunstância muito formal e solene que é o encerramento do debate da moção de censura”, disse que o responsável era o anterior Governo do PS.
“Nós pensávamos que o ministro Paulo Rangel sabia que a OCDE coloca Portugal no grupo dos países que estão na média da OCDE” e “não pensávamos que o ministro Paulo Rangel pensasse que a governação do PS tinha sido responsável pela governação na educação em todos os países da OCDE”, ironizou.
A bancada do PS também achava que o governante “sabia que há uma componente cultural e societal forte nos desafios que a escola tem hoje em dia” e “só uma pessoa que não sabe isso é que pode considerar-se irresponsável por aquilo que está a passar-se nas escolas”, criticou.
“Qualquer um de nós, com responsabilidades públicas, que diga que isto é problema dos outros, está a ser irresponsável”
“Qualquer um de nós, com responsabilidades públicas, que diga que isto é problema dos outros, está a ser irresponsável”
Porfírio Silva asseverou que qualquer pessoa com “responsabilidades públicas que diga que este é um problema dos outros está a ser irresponsável”.
