O dever da responsabilidade
O mês de setembro tem sido rico em episódios na nossa política nacional e, muitas vezes, o fundamental ficou longe de ser discutido, ficando pelo acessório e pelo superficial. Exemplo gritante, uma moção de censura que só serviu para distrair do custo de vida, das confusões na educação e na manifesta impossibilidade do Ministro da Administração Interna continuar em funções.
O custo de vida tem um ponto crucial. A pressão inflacionista vai contra as contas simples do excel 12,2%, aumentos superiores a 50 cêntimos no gasóleo e gasolina, só este ano. Sendo sérios, as culpas da instabilidade geopolítica, que mexe nos mercados da energia não é responsabilidade do Governo. A responsabilidade está nos populismos que levam ao conflito no Irão.
Mas compete aos governos adotarem políticas públicas para contrariar estas pressões inflacionistas, políticas contracíclicas que ajudem a suavizar o impacto sobre famílias e empresas. O impacto dos preços da energia é brutal sobre o rendimento disponível das famílias, cadeias de abastecimento, poupanças e investimento.
E medidas de forte alcance, como medidas fiscais efetivas e não apenas uma suposta neutralidade fiscal – que está demonstrado que não existe.
Medidas como a descida do IVA ou apoios são cruciais, mas cumprindo regras e não embarcando no populismo que alguns colocaram no parlamento.
A norma-travão não permite alteração de receitas e despesas pelo parlamento fora do período orçamental, se não for proposta pelo Governo.
E, por isso, temos mesmo de forçar o Governo a avançar com estas medidas, sem populismos fáceis para as redes sociais.
É esse o dever de responsabilidade que nos compete.
Fonte: Hugo Costa. Médio Tejo.Net. 22 de setembro de 2026
