Estado da Nação: entre o custo de vida e o caos na Educação
Nesta última crónica antes do período habitual de férias, poderia falar-vos do Congresso Distrital do Partido Socialista, que se realizou no último fim de semana e que foi um momento alto de discussão e de propostas interessantes para o desenvolvimento da região. Poderia também falar-vos dos problemas que se agudizaram na nossa região, nomeadamente na saúde, na educação, na habitação, no estado das infraestruturas e no desinvestimento.
Mas o tempo não dá para tudo e por isso quero falar-vos hoje do atual Estado da Nação.
O debate do Estado da Nação foi um momento alto do encerramento dos trabalhos parlamentares, precedido de um estudo de opinião da RTP, feito pela Universidade Católica, que perguntou aos portugueses qual o atual Estado da Nação. E, infelizmente, a resposta não foi surpreendente. A resposta foi clara.
Os portugueses acham e sentem que estão a viver pior do que no ano passado. E, infelizmente, isso não é surpreendente, porque todos nós sabemos que o custo de vida aumentou, e muito. Os salários não tiveram um aumento significativo, mas todos os custos aumentaram.
Aumentou o crédito à habitação devido às taxas de juro, aumentaram as dificuldades, aumentou o custo dos bens alimentares, aumentaram os fatores de produção, nomeadamente os combustíveis, todas as despesas aumentaram significativamente, provocando mais dificuldades no custo de vida.
Mas a semana passada ficou também marcada pela confusão, pela desorganização, pelo caos na apresentação pública dos resultados das provas dos alunos que pretendem ingressar no ensino superior e das provas do 9º ano. E foi, realmente, um caos.
Aquilo que vimos – alunos a aguardar às sete da tarde, com as escolas que estavam encerradas a terem de abrir, todos à espera que as notas chegassem à escola, alunos sem notas, com nota suspensa, notas desajustadas em relação ao valor real. Efetivamente, não se via tamanha situação há muitos anos no nosso país.
Perante isto, o Ministro da Educação não assumiu, em nenhum momento, qualquer responsabilidade, não teve a humildade para pedir desculpa e para reconhecer o erro. Preferiu sempre atacar todos. Atacou primeiro os professores que tinham agrafado as provas no QR Code. Depois, veio dizer que a culpa era dos próprios diretores de escola e das escolas, que as próprias famílias é que se tinham precipitado e não deviam ter marcado férias num período destes. Que tinham sido incautos.
Assistimos a um passa-culpas para toda a comunidade escolar, quando nós sabemos que um dos problemas graves foi o desmembrar de todo o Ministério da Educação, o desmembrar de uma Direção Regional da Educação que não existe, a mudança dos seus responsáveis. Todas essas entropias conduziram a este ponto de situação, que é um ponto muito grave do nosso sistema educativo.
Os alunos vivem anos e anos a preparar-se para estas provas, ficam ansiosos, e por isso não mereciam este tratamento.
Durante o fim de semana chegaram, infelizmente, mais novidades tristes, que provam tudo aquilo que estamos a dizer. Quando os alunos tiveram acesso às provas, as folhas não eram as suas, com pontos que não estão corrigidos… Alguns deles vão recorrer, pedindo uma reavaliação da prova sem terem ainda conhecimento da nota que tiveram, sendo que na próxima semana começa a segunda fase.
Foi demasiada confusão. E aquilo que se pretende do Partido Socialista, como partido da oposição, não é nada contra ninguém. É escrutinar, é esclarecer a verdade, é procurar que esta situação nunca mais volta a acontecer, é defender os alunos, é defender os professores, é defender toda a comunidade escolar. Não pode haver arrogância, prepotência, indiferença perante os problemas, quando eles existem e têm de se assumir. Tem de haver responsáveis e tem de se minimizar os problemas que causaram aos alunos.
E por isso, o que o Partido Socialista vai fazer nesta semana e nos dias subsequentes é defender toda esta comunidade escolar para que, efetivamente, sejam minimizados os problemas que foram causados e não assumidos por um Governo que se mostrou muito insensível em todo este processo.
Desejo umas boas férias para todos e em setembro cá estaremos novamente.
Um abraço do Pedro do Carmo.
Fonte: Pedro do Carmo. Rádio Castrense. 20 de julho de 2026
