Quando o depósito pesa mais no interior
Há decisões políticas cujos efeitos se fazem sentir de forma diferente consoante o território. O aumento do preço dos combustíveis é um exemplo claro dessa realidade. Para quem vive no distrito da Guarda, e em particular no concelho do Sabugal, o automóvel não é um luxo nem uma escolha de conveniência. É uma necessidade. É o meio que permite chegar ao trabalho, levar os filhos à escola, ir à farmácia, aceder aos cuidados de saúde ou tratar das tarefas mais simples do dia-a-dia. É por isso que os sucessivos aumentos dos combustíveis são sentidos com especial preocupação pelas famílias do interior, com o sucessivo aumento do preço dos bens essenciais e reduzindo a competitividade das nossas empresas.
Enquanto nas áreas metropolitanas existem alternativas de transporte público, ainda que imperfeitas, na maioria dos concelhos da Guarda essas opções continuam a ser insuficientes.
Só nos últimos cinco meses, os preços dos combustíveis aumentaram de forma consecutiva. Hoje, encher um depósito de 50 litros custa mais 22 euros no gasóleo e mais 16 euros na gasolina do que custava no início de março.
A situação torna-se ainda mais preocupante quando se verifica que os portugueses pagam atualmente mais impostos sobre os combustíveis do que pagavam quando o Governo da Aliança Democrática iniciou funções, em abril de 2024. No gasóleo, o agravamento da carga fiscal é de 9,5 cêntimos por litro; na gasolina, de 6,5 cêntimos. Num depósito de 50 litros, isso significa mais 4,90 euros de impostos no gasóleo e mais 3,25 euros na gasolina. Estes dados indicam que, este Governo revela uma preocupante insensibilidade social. Em vez de aliviar o impacto do aumento do custo de vida, mantém uma elevada carga fiscal sobre os combustíveis, permitindo que o Estado arrecade mais receita enquanto famílias e empresas suportam um esforço cada vez maior.
Por isso, o Partido Socialista tem defendido a redução da carga fiscal sobre os combustíveis que, apesar de não resolver todos os problemas, representa um alívio imediato para as famílias e para as empresas que dependem diariamente do automóvel para trabalhar, produzir e viver. É uma questão de justiça para quem não tem alternativa neste território onde as distâncias são inevitavelmente maiores.
O desenvolvimento do interior não se faz apenas com discursos sobre coesão territorial. Faz-se com decisões políticas que melhorem efetivamente a vida das pessoas. O distrito da Guarda e o concelho do Sabugal precisam de respostas concretas, de investimento e de políticas que reconheçam as dificuldades próprias de quem aqui vive.
A política não pode ser exercida à distância. Os governantes e todos os responsáveis políticos têm de sair dos gabinetes, percorrer o território, ouvir as populações e conhecer de perto os problemas que afetam as famílias, os trabalhadores, os agricultores e as empresas. Só estando ao lado dos cidadãos será possível construir soluções justas e eficazes; porque governar é, acima de tudo, servir as pessoas e garantir que nenhum território fica para trás.
Fonte: Aida Carvalho. Jornal Cinco Quinas. 29 de julho de 2026
