Governo revela insensibilidade na habitação e tem falhado na saúde
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, questionou o primeiro-ministro sobre a mudança que o Governo tem planeada no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que foi ontem revelada pela comunicação social, e acusou o Executivo da AD de demonstrar uma “grande insensibilidade” nas questões da habitação.
“Soubemos ontem que o primeiro-ministro se prepara para fazer uma mudança radical na estrutura executiva [do SNS] sem que algum dia a tenha apresentado a este Parlamento ou tenha sido objeto de diálogo com os partidos da oposição”, sublinhou José Luís Carneiro durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, depois de ter sido noticiado que o Governo prepara várias fusões na saúde, em que a Direção Executiva do SNS dará lugar a um novo organismo que integrará a Administração Central do Sistema de Saúde.
“Falhou a todas as promessas da saúde”
“Falhou a todas as promessas da saúde”
A verdade é que o Executivo da AD “tem falhado na saúde”, acusou o secretário-geral do PS, que exemplificou com números: “Nos últimos sete meses, os números são muito claros em comparação com o ano anterior. Há menos 23.997 cirurgias, há uma quebra de 20.829 primeiras consultas, aquelas que o primeiro-ministro prometeu que iriam ser mais céleres”.
O país já sabia que o Governo “falhou a todas as promessas na saúde”. O Executivo de Luís Montenegro “prometeu médico de família para todos e falhou. Prometeu reduzir os tempos de espera para a primeira consulta e falhou. Prometeu reduzir os tempos de espera para cirurgia e falhou. Prometeu reduzir os tempos de espera para a cirurgia oncológica e falhou”, denunciou.
Dirigindo-se ao primeiro-ministro, José Luís Carneiro comentou que “agora não pode atirar a culpa para os imigrantes, porque as falhas têm que ver com a quebra na prestação de serviços e do Serviço Nacional de Saúde”.
Sobre a habitação, o secretário-geral do PS criticou a “denominada ‘renda moderada’, que vai até aos 2.300 euros, e provocou um aumento e uma espiral de crescimento de 34% no custo com as rendas”.
Num recado ao Chega, o líder socialista considerou que o “mais surpreendente” no novo regime de arrendamento urbano do Governo “é que aqueles que estão a falar em nome dos mais frágeis e dos mais desfavorecidos – com a sua hipocrisia do costume – dão apoio a essa proposta”.
PS quer saber se Governo vai honrar compromissos
Depois de a proposta de Orçamento do Estado para 2027 ter sido entregue ontem no Parlamento, José Luís Carneiro aproveitou a presença do primeiro-ministro no debate quinzenal para o confrontar com dois compromissos que assumiu com o PS.
“Houve dois que assumiu com clareza, nomeadamente a revisão da Constituição e a questão das pensões”, mas não é certo, após uma análise breve do documento orçamental, que os investimentos pós-PRR e a resposta aos prejuízos deixados pelas tempestades estejam presentes no Orçamento.
Por isso, José Luís Carneiro pediu a Luís Montenegro para ser “claro” e dizer “se esses compromissos são ou não para honrar”.
