Nota à Comunicação Social
Cavalhadas de Vildemoinhos sem apoio: PS quer explicações do Governo
Os deputados do Partido Socialista eleitos por Viseu questionaram o Governo sobre a decisão da Turismo do Centro de Portugal de não apoiar, em 2026, as Cavalhadas de Vildemoinhos, uma tradição secular do concelho de Viseu.
Numa pergunta dirigida ao Secretário de Estado do Turismo, Armando Mourisco e Elza Pais, a que se junta o deputado da Comissão de Cultura, Paulo Lopes Silva, exigem esclarecimentos sobre os critérios que estiveram na origem da decisão e sobre a forma como esta foi comunicada.
Realizadas anualmente a 24 de junho, as Cavalhadas de Vildemoinhos são uma tradição com forte ligação à identidade cultural da comunidade, tendo atualmente uma candidatura submetida a Património Cultural Imaterial, o que reforça a sua relevância cultural e patrimonial.
Segundo informação transmitida pela entidade promotora, as Cavalhadas têm beneficiado, ao longo dos anos, de apoio da Turismo do Centro. Após uma audiência realizada em março de 2026, ficou a expectativa de que o mesmo aconteceria na edição deste ano. Contudo, a decisão de não atribuir qualquer apoio terá sido comunicada apenas no próprio dia das Cavalhadas, através de um email do Vice-Presidente da Turismo do Centro, que fazia uma referência genérica às “calamidades que assolaram o país”.
“Estamos perante uma tradição com mais de três séculos de história, profundamente ligada à identidade de Vildemoinhos e do concelho de Viseu. Não é aceitável que uma decisão sobre um apoio desta natureza seja comunicada à entidade promotora no próprio dia da realização do evento, sem que sejam conhecidos de forma clara os critérios que determinaram a recusa”, afirma o deputado Armando Mourisco.
Os socialistas querem, por isso, saber quando foi tomada a decisão, por quem foi aprovada e quais foram os critérios utilizados, bem como se houve alterações relativamente aos anos anteriores nas prioridades, nos critérios de avaliação ou na disponibilidade orçamental.
O PS questiona igualmente de que forma foi ponderada a relevância cultural e patrimonial das Cavalhadas e se a candidatura a Património Cultural Imaterial foi considerada na apreciação do pedido.
“A referência genérica às ‘calamidades que assolaram o país’ não permite, por si só, perceber se estamos perante uma orientação interna, uma decisão casuística ou a aplicação de um critério previamente definido”, refere Armando Mourisco, acrescentando que “se existem critérios para atribuir ou recusar apoios públicos, esses critérios têm de ser conhecidos e aplicados de forma transparente e equitativa”.
Os deputados socialistas pedem ainda ao Governo que esclareça se pode ser facultada a ata da reunião, os critérios aplicados e a listagem dos apoios concedidos a outras entidades, de modo a permitir uma comparação objetiva das decisões tomadas.
Querem ainda saber que medidas pretende a Turismo do Centro adotar para garantir, no futuro, maior previsibilidade, transparência e equidade na apreciação dos pedidos de apoio, evitando que organizações que asseguram a continuidade de tradições com relevância histórica e cultural sejam confrontadas com decisões tardias e sem fundamentação suficientemente esclarecedora.
Gabinete de Imprensa do GPPS
9 de setembro de 2026