PS explica ao Governo que renda moderada é quando as famílias a conseguem pagar
O vice-presidente da bancada do PS Luís Testa defendeu que a “habitação não pode transformar-se num privilégio de quem tem dinheiro disponível ou de quem consegue endividar-se” e garantiu que uma renda “é moderada quando as famílias a conseguem pagar”.
Durante o período das declarações políticas, que o PS dedicou à habitação, Luís Testa asseverou que “comprar casa está cada vez mais caro e arrendar está cada vez mais difícil”.
A verdade é que, “em apenas dois anos, as rendas aumentaram 19,5%” e “os preços das casas aumentaram 16,5% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026”, criticou.
O deputado sustentou que a isenção de IMT e do Imposto de Selo para os jovens comprarem a sua primeira habitação é uma medida que “beneficia mais os vendedores, quando parte da vantagem fiscal é absorvida em aumento dos preços”.
No caso dos arrendamentos, há também “sinais preocupantes”, como a “ideia de uma renda moderada de 2.300 euros”, lamentou o socialista, vincando que “arrendar tem de ser uma solução estável e compatível com os rendimentos de quem trabalha”.
“Arrendar tem de ser uma solução estável e compatível com os rendimentos de quem trabalha”
“Arrendar tem de ser uma solução estável e compatível com os rendimentos de quem trabalha”
Ora, os 2.300 euros são “um valor incomportável para quase todos os portugueses”, assegurou Luís Testa, esclarecendo que “quando se admite este patamar como referência de renda moderada, legitimam-se expectativas de preços muito acima da capacidade financeira das famílias e contribui-se para pressionar os valores praticados no mercado”.
“Uma renda não é moderada porque o Governo lhe dá esse nome, é moderada quando as famílias a conseguem pagar”, disse.
Governo está a levar mais pessoas ao incumprimento
Sobre a alteração do Governo ao regime do arrendamento urbano, Luís Testa fez um resumo: “Mais rendas antecipadas, eliminar o limite da caução, pôr fim ao travão na atualização das rendas e facilitar o despejo”.
E deixou algumas questões: “Onde está a demonstração de que exigir mais dinheiro à entrada coloca mais casas no mercado? Onde está a garantia de que eliminar o limite da caução torna as rendas mais acessíveis?”
O que o Governo está a preparar é “levar mais pessoas ao incumprimento”, criticou.
