
PS quer combater a discriminação das mulheres nas lideranças
A deputada do PS Elza Pais apresentou hoje um projeto de lei que reforça o regime de representação equilibrada entre mulheres e homens nos órgãos de administração e de fiscalização das entidades do setor público empresarial e das empresas cotadas em bolsa, e explicou que o objetivo é acabar com as “barreiras invisíveis que impedem as mulheres de chegar aos lugares de decisão”.
“O projeto que o PS aqui apresenta é para travar o desperdício do saber e das qualificações das mulheres nas lideranças empresariais”, defendeu a socialista, que lembrou que, em 2017, o Governo do PS “definiu pela primeira vez a obrigatoriedade com equilíbrio de género para as lideranças empresariais”, e a representação das mulheres aumentou de 15% para 36% nos conselhos de administração.
No entanto, “verificou-se que, ao longo destes anos, só 17% dos cargos executivos são ocupados por mulheres, ou seja, as mulheres vão maioritariamente para os lugares não executivos”, vincou.
De acordo com Elza Pais, “a lei foi perversamente aplicada”.
Com o seu projeto, a bancada do PS quer que “a lei se aplique autonomamente a lugares executivos e a lugares não executivos”, quer que “fique claro que esta lei também é para o setor empresarial local”, e que aumente o “limiar da representatividade para 40%, na linha do que está definido na diretiva europeia, que devia ter sido transposta há dois anos”.
A deputada sublinhou que o objetivo do Partido Socialista é “valorizar o talento das mulheres” e lembrou que “as mulheres portuguesas são hoje mais qualificadas, em média, do que os homens nas novas gerações do ensino superior, mas poucas chegam a lugares de decisão nas profissões”.
“Não queremos lugares de liderança por sermos mulheres, mas, por sermos mulheres, não podemos ser excluídas da liderança”, sustentou.
No final da sua intervenção, Elza Pais comentou que “a mudança é lenta, mas sem instrumentos legais, sem leis que obriguem, a mudança ainda será muito mais lenta”.