O Ministro falhou no exame
A realização dos exames nacionais é um momento decisivo na vida de milhares de estudantes, representando, para muitos, o primeiro passo rumo ao ensino superior e ao percurso de formação que poderá determinar o seu futuro profissional.
É, por isso, um momento que exige que o sistema funcione e que os responsáveis estejam à altura da responsabilidade que lhes é confiada.
Nos últimos dias, o Ministério da Educação falhou claramente esse desafio, ao criar um verdadeiro caos na gestão dos exames nacionais, responsabilizando sucessivamente os agrafadores, os pais, a plataforma informática e até a própria oposição política.
Depois de optar por um processo de digitalização a meio caminho, mantendo os exames em papel, mas impondo uma correção através de uma plataforma digital que não foi devidamente testada, o caos instalou-se. Os problemas multiplicaram-se e acabaram por conduzir ao adiamento do calendário escolar.
Mesmo admitindo, como é natural, que as falhas fazem parte de qualquer processo de mudança e que o mais importante nesses momentos é encontrar soluções, não podemos aceitar que não exista uma assunção clara de responsabilidades por uma decisão que foi, desde o início, iminentemente política, que parece ter sido mais marcada pela insistência do que por uma verdadeira visão estratégica.
Ao Governo, e em particular ao Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia, exige-se mais do que a altivez de procurar responsabilizar terceiros ou de desvalorizar a preocupação gerada, falando em alarmismo, ou criticando os pais por organizarem a sua vida em função de um calendário escolar previamente definido. Ao Ministro exigem-se soluções, exige-se responsabilidade e, sobretudo, a humildade de assumir o custo político de um processo que nasceu torto e que continua longe de correr bem.
Mal vai um país quando a primeira preocupação de quem governa não é reconhecer os erros e concentrar todos os esforços na sua rápida resolução.
Os próximos dias serão esclarecedores quanto à capacidade do Governo para reconhecer que errou, assumir esse erro e resolvê-lo sem prejudicar toda a comunidade letiva.
Porque, no fim do dia, governar não é nunca a ausência de erros, mas sim a capacidade de os reconhecer, assumir e corrigir em tempo útil.
