PS exige que ministro Leitão Amaro assuma responsabilidades pelos insultos a trabalhadores da Lusa
O deputado do PS Paulo Lopes Silva exigiu que o ministro António Leitão Amaro assuma responsabilidades depois de um funcionário do seu gabinete ter insultado representantes dos trabalhadores da Agência Lusa, e classificou o episódio como “mais um momento de asfixia democrática”.
“Na semana em que se assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, tomamos conhecimento de mais um momento de asfixia democrática”, lamentou o socialista em declarações à comunicação social, referindo-se ao caso em que um funcionário do gabinete do ministro da Presidência insultou e tentou intimidar e coagir os representantes dos trabalhadores da Agência Lusa que estavam presentes no Ministério, depois de uma reunião formal do ministro António Leitão Amaro com a comissão de trabalhadores da Lusa e três sindicatos.
“É na verdade um atentado à liberdade de imprensa”
“É na verdade um atentado à liberdade de imprensa”
O coordenador dos socialistas na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto classificou este episódio como “absolutamente inaceitável” e sublinhou que “é mais do que um excesso de linguagem, é na verdade um atentado à liberdade de imprensa”.
“Aquilo que ocorreu acontece, ainda por cima, com uma pressão sobre conteúdo noticioso no seio de uma reunião institucional com representantes da empresa, onde esteve presente o ministro e faz uma confusão inaceitável entre o papel de representação institucional das comissões de trabalhadores e dos sindicatos com o papel dos jornalistas”, acrescentou.
Situação não se resolve com comunicados burocráticos
Paulo Lopes Silva assegurou que esta situação “não se resolve com comunicados burocráticos de um chefe de gabinete” e frisou que o “ministro é responsável político por todo o seu gabinete”.
Assim, o que se exige da parte do ministro António Leitão Amaro “é a assunção da responsabilidade pelos factos ocorridos” e que “faça a avaliação concreta se os membros do seu gabinete continuam a ter a sua confiança política”, sustentou.
O socialista comentou que “isto acontece num momento crítico para a vida da Lusa, porque está em avaliação a sua independência institucional e a sua independência editorial”, e recordou que o PS deu entrada a um projeto de lei com os novos estatutos da Agência Lusa na sequência da sua aquisição na totalidade pelo erário público.
Questionado sobre se o Partido Socialista pondera chamar o governante ao Parlamento caso não assuma responsabilidades, Paulo Lopes Silva assegurou que o PS não exclui “nenhuma possibilidade para avaliar a forma como o ministro assumirá essa responsabilidade”.
